quarta-feira, 21 de março de 2012

Anti-semitismo islâmico na França

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Youssouf Fofana, o líder da gangue "Os Bárbaros"

Aconteceu em Paris, em novembro de 2006, na velha e douce France, onde agora escolas e veículos são queimados durante a noite por jovens maometanos cheios de ódio: um disc-jokey judeu de 23 anos chamado Sébastien Selam saía do apartamento dos pais para trabalhar quando foi atacado na garagem por Adel Boumedienne, seu vizinho muçulmano. Adel cortou duas vezes a garganta de Sébastien, quase ao ponto de decapitação, e retirou-lhe o rosto com uma forquilha, fazendo os olhos saltarem para fora das órbitas. Depois, coberto de sangue, Adel subiu as escadas de seu apartamento para contar à mãe: “Matei meu judeu. Irei ao paraíso!”. Na mesma noite, em outro ponto da cidade, outro muçulmano assassinava brutalmente uma judia na presença da filha. Esses assassinatos foram reportados pelas mídias como crimes comuns, aos quais “todos” estamos sujeitos em Paris, onde jovens imigrantes marginalizados e desempregados entregam-se à violência em razão das injustiças sociais produzidas por um modelo econômico perverso, etc.

Contudo, um crime ainda mais brutal revelou as conexões existentes entre essa criminalidade comum e a ideologia criminosa nos explosivos subúrbios parisienses, onde a violência passou a ser estimulada por ONGs, intelectuais e grupos anti-racistas que procuram justificar a delinqüência dos imigrantes excluídos pela sociedade e compreender seu “justo clamor”. No dia 21 de janeiro de 2006, o jovem judeu Ilan Halimi, de 23 anos, balconista de uma loja de telefonia celular, foi seduzido por uma garota que o convidou para seu apartamento. A mulher fora mandada como isca da gangue autodenominada “Os Bárbaros”, de Bagneux, subúrbio do sul de Paris, e que incluía muçulmanos “politizados” (um deles, filho de um jornalista egípcio, correspondente estrangeiro na França). O rapaz foi levado a Bagneux, onde ficou três semanas trancado no porão de um imóvel.

A gangue telefonou várias vezes para a família de Halimi pedindo um resgate de 500 mil euros (c. 1,2 milhão de reais), depois abaixado para 200 mil euros (c. 500 mil reais); fazia-a ouvir versos do Corão enquanto, ao fundo, Ilan gritava submetido às mutilações. A polícia recusou-se a crer que o seqüestro tivesse caráter antissemita. Um dos investigadores chegou a declarar que “judeu é igual a dinheiro” e que a vida do refém não corria, assim, maior perigo, deixando de agir com a urgência necessária. Culminando o horror, parentes e vizinhos dos seqüestradores, ao saberem da existência de um refém judeu nas redondezas, foram oferecer colaboração, tomando parte nas torturas. Quando a gangue percebeu que a família, de classe média baixa, não poderia pagar o resgate exigido, incendiou o corpo da vítima numa caldeira e abandonou-a agonizante: a 13 de fevereiro, Halimi foi encontrado perto das vias do trem da estação Sainte-Geneviève-des-Bois, fora de Paris, amarrado a uma árvore. Estava nu, amordaçado, manietado, faminto, com queimaduras e cortes por 80% de seu corpo. A caminho do hospital, Ilan morreu de seus ferimentos.

Ilan Halimi, 23 anos, torturado até a morte pela gangue "Os Bárbaros"

Segundo a polícia, a gangue “manteve-o nu e amarrado por semanas. Eles cortaram pedaços de sua carne, dedos e orelhas, e no final jogaram um líquido inflamável em seu corpo e o incendiaram. Foi um dos assassinatos mais cruéis que já vimos”. Mesmo quando ficou claro que a família não tinha condições financeiras de arcar com o resgate, a gangue continuou a torturar Ilan, pois, conforme a polícia, “ele era judeu”. Um dos jovens torturadores detido confessou que seus cúmplices revezavam-se para apagar cigarros na testa da vítima dizendo que odiavam judeus. Segundo o então Ministro do Interior da França, Nicolas Sarkozy, a polícia encontrou com um dos suspeitos folhetos do Comitê de Caridade Palestino (associado ao Hamas).

O governo francês tentou escamotear os aspectos antissemitas do caso com medo de inflamar os muçulmanos franceses (10 a 13% da população do país, incluindo ¼ da população com menos de 25 anos, num total de 5 a 6 milhões, enquanto a comunidade judaica, a maior da Europa, conta cerca de 600 mil). Num primeiro momento, o promotor público de Paris, Jean-Claude Marin, declarou aos jornalistas que não havia nada de antissemita no caso, e assim ele foi reportado por jornais como o Le Figaro e o londrino The Observer. Após protestos da comunidade judaica, o juiz que presidiu o inquérito admitiu que o antissemitismo tivesse desempenhado seu papel no crime e o então Ministro Sarkozy declarou à Assembléia Nacional que a gangue visava judeus, convencida de que “judeus têm dinheiro”. O então Primeiro Ministro Dominique de Villepin chamou a polícia à responsabilidade por ter recusado inicialmente as motivações antissemitas do seqüestro [1].

As duas juízas parisienses encarregadas de investigar as circunstâncias da morte de Ilan Halimi implicaram inicialmente 17 pessoas, acusadas pela circunstância agravante de crime cometido devido à religião da vítima. Além dos seqüestradores, foi preso o porteiro do imóvel onde Halimi foi torturado, e membros de logística do bando, assim como três mulheres utilizadas como iscas nesta e outras tentativas de seqüestro, além de um suposto “braço direito” do grupo, suspeito de crimes de extorsão. A polícia descobriu que o grupo já havia tentado seqüestrar pelo menos outras seis pessoas, das quais quatro eram judeus (provavelmente as outras duas só deviam “parecer” judeus). Não ficou claro pelo noticiário se nestas ou em outras tentativas, a gangue também feriu um judeu de 50 anos que teve de ser hospitalizado, e jogou uma granada de mão contra um médico judeu. Ao ser detido na Costa do Marfim, o chefe do grupo, o franco-marfinense Youssouf Fofana, de 25 anos, negou ter agido por antissemitismo [2]

Em protesto ao crime hediondo, o Conselho representativo das instituições judaicas da França (Crif), a associação SOS – Racismo e a Liga contra o racismo e o antissemitismo (Licra) organizaram na capital parisiense uma passeata que reuniu entre 33 mil pessoas (segundo a polícia) e 200 mil pessoas (segundo os organizadores), incluindo políticos como Sarkozy e o ex-premiê Lionel Jospin, além de artistas e intelectuais [3]. Ainda neste caso as mídias comportaram-se de maneira dúbia: primeiro, tentaram minimizar o caso e a condição judaica da vítima; depois, sob protestos e após o reconhecimento oficial do crime racista, admitiram ter sido Ilan Halimi mais uma vítima do novo antissemitismo que se espalha na sociedade francesa.

Em 2009, detidos 27 suspeitos do crime, foram todos levados a julgamento. Youssouf Fofana foi condenado à prisão perpétua, sendo que os demais receberam penas variadas – segundo alguns bastante indulgentes[1]. O caso Halimi, com todo o seu horror e repercussões foi mais um exemplo a demonstrar que as ações dos extremistas de direita (que odeiam, na mesma medida, judeus e muçulmanos) são hoje superadas em intensidade e violência, pelas ações dos extremistas muçulmanos – sejam em bandos racistas criminosos ou em grupos politicamente organizados, os quais não mais se envergonham de ostentar o racismo contra os judeus como sua bandeira política e a destruição de Israel como sua missão sagrada.

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